A Utopia é uma obra que pode ser interpretada sobretudo como uma crítica à Inglaterra das primeiras décadas do século XVI. E não apenas à Inglaterra, mas também a outros estados europeus, como a França, explicitamente citada. O contraste entre, de um lado, a ilha imaginária e, de outro, não apenas esta outra ilha, a Inglaterra, mas também, de forma mais ampla, a Europa, fornece as bases dessa crítica. Agindo segundo a razão, e mesmo sem conhecer o cristianismo, os utopienses vivem melhor do que os europeus e foram capazes de construir instituições que merecem respeito e admiração, enquanto os povos cristãos não conseguem pôr em prática as virtudes consagradas por sua religião e se destroem uns aos outros. Os utopienses comportam-se, no fundo, como se fossem verdadeiros cristãos; fazem o que os europeus deveriam fazer, se seguissem seus próprios preceitos cristãos. Essa crítica moral aos estados europeus passa também pela crítica a suas relações internacionais. Uma delas se dirige a seu belicismo e à sua ânsia desmesurada e descabida de conquistar novos territórios, em vez de bem administrar os que já possuem. (João Almino, 2004)
| Autor(a) | Thomas More |
|---|---|
| Editora | FUNAG - Fundação Alexandre de Gusmão |
| Assunto | More, Sir Thomas, Santo, 1478 - 1535. Utopia | Política |
| Ano | 2004 |
| Edição | 1ª Edição |
| Nº páginas | 208 |
| Idioma | Português |
| ISBN | 978-85-7631-017-1 |