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Live com o Ministro Ernesto Araújo sobre diplomacia e agronegócio (10/08/2020)

 

Ministro Ernesto Araújo – Boa noite a todos. Estamos aqui para fazer uma live sobre a diplomacia e o agronegócio, para mostrar como o Itamaraty trabalha na promoção do agronegócio brasileiro e como a nossa política externa reforça a presença do agronegócio no mundo. Estou com o Ministro Alexandre Peña Ghisleni, Diretor do Departamento de Agronegócio do Itamaraty, e com o Primeiro--Secretário Luiz Fellipe Flores Schmidt, Chefe de uma das divisões desse departamento novo que criamos.

Eu gostaria de falar com os colegas sobre alguns mitos que se difundiram de alguma maneira ao longo do tempo sobre essa relação entre a nossa política externa e o agronegócio, e desfazer algumas distorções. Eu, às vezes, tenho a impressão, não apenas com relação a esse tema, acho que já falei disso em alguma ocasião, que nós estamos numa situação na qual um radialista está narrando um jogo imaginário, um jogo que não está acontecendo. Eu acho que, em grande medida, é o que acontece com alguns comentaristas da imprensa, algumas matérias da imprensa, artigos. É como se fosse na época do rádio, tem gente que não se lembra do tempo de escutar o jogo pelo rádio, mas é isso que está acontecendo em muitos casos, sobretudo um radialista que está torcendo contra o nosso time. Ele não narra os gols do nosso time, inventa gols do outro, inventa os lances, inventa praticamente tudo. Então, eu vou tentar dar alguma noção de como está o jogo nessa promoção do agronegócio, especificamente o papel do Itamaraty.

Fazendo um balanço de um ano e meio da nossa gestão, procuramos dar uma prioridade, aqui no Itamaraty, ao agronegócio – que nunca houve. O Brasil, um país com o agro que tem, com a força que tem, não tinha, no Itamaraty, um departamento para a promoção do agronegócio. É um tema que ficava meio perdido em outros departamentos. Nós criamos esse departamento com colegas da maior capacidade para, juntamente, sempre, claro, com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) promover esse setor ao redor do mundo. 

O primeiro mito é esse de que o Itamaraty não está presente nessa dimensão do agronegócio. Ele está extremamente presente, o tempo todo, claro, sempre em cooperação com o MAPA. Nós temos contato permanente com o setor privado produtivo do agronegócio, com dezenas de entidades, conversando, recebendo – depois meus colegas vão falar um pouco mais sobre isso. Só para dar um exemplo, há cerca de duas semanas, eu tive uma conferência com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC). Hoje, eu tive um almoço com Presidente da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que representa o setor sucroalcooleiro. Estamos em permanente diálogo com esses setores. 

Nós damos também prioridade altíssima ao setor do agronegócio nas atividades da Apex-Brasil, que funciona vinculada ao Itamaraty. A Apex também revolucionou esse setor, que não tinha a prioridade que tem hoje dentro daquela agência. E criamos, já nesse período, ao redor do mundo, 40 setores de agronegócio em embaixadas brasileiras no exterior. Foi também um esforço sem precedentes.

Para dar um exemplo de resultados concretos desse trabalho nesse período, eu quero citar alguns êxitos que tivemos na abertura de mercados para produtos específicos em vários países do mundo. Por exemplo: na Arábia Saudita, abrimos mercado para castanhas; na Argentina, abrimos mercados para lácteos para alimentação animal e termoprocessados de aves; na Austrália, abrimos mercado para queijos brasileiros; na China, abrimos mercados para pescados, lácteos e miúdos de origem suína, carnes bovinas termoprocessadas, farelo de algodão e melão; em Singapura, para carne de aves e carne em conserva; na Colômbia, para carne e miúdos de aves, novamente; na Coreia do Sul, mercado para pescados e camarão – tudo isso nesse período de janeiro de 2019 até aqui –; no Egito, abrimos mercado para carne de frango, carne bovina, miúdos bovinos, caprinos, lácteos e maçã. Isso é um esforço diplomático conjunto do Itamaraty com o Ministério da Agricultura, isso não ocorreria se não tivesse essa conjunção desses dois ministérios. Continuando, nos Estados Unidos, carne bovina in natura, reabertura do mercado; na Índia, carne de frango; na Indonésia, frigoríficos de carne bovina; no Irã, folhas de tabaco; no Japão, lácteos para alimentação animal; no Kuwait, abrimos mercado para carne bovina; na Malásia, mercado para bovinos vivos; no Marrocos, abrimos mercado para pescados; no México, abrimos mercado para arroz beneficiado; e na Tailândia, para laticínios, carne bovina desossada e miúdos bovinos. 

Isso aqui é o nosso dia a dia, isso aqui é concreto. Então, quando se fala “a política externa e o Itamaraty não estão ajudando, estão prejudicando o agronegócio”, isso aqui é parte do resultado desse trabalho. Teremos muito mais. Podemos fazer muito mais.

Queria pedir para o Alexandre e o Luiz Fellipe falarem um pouco sobre como é esse trabalho diário no Departamento de Agronegócio, como é o volume de trabalho e como esses trabalhos são organizados nas embaixadas do exterior.

Ministro Alexandre Ghisleni – Ministro, muito obrigado por essa oportunidade para falarmos com um público amplo. Para nós, é uma alegria poder compartilhar um pouco do que está sendo feito no Itamaraty. 

O Itamaraty faz muito, em coordenação com o MAPA, com uma integração muito próxima com a Apex, mas a gente faz muito. Se não me engano, nós trocamos mais de 7.600 documentos com governos estrangeiros para abertura de mercados no ano passado. Isso resultou no reconhecimento de 700 estabelecimentos brasileiros que agora podem exportar para o exterior, para 24 países, se não me engano, ou seja, isso são grandes pequenas conquistas que nós temos e que surgem de uma interlocução muito estreita com o setor privado, em todas as suas dimensões. 

Nós falamos com produtores de grãos, exportadores de grãos, produtores e exportadores de carne, produtores não tradicionais. Acho que uma coisa importante de dizer é que havia, no passado, uma crítica de que o Brasil só exportava carne e soja. Isso é cada vez menos verdade. O agro brasileiro é mais diversificado na medida em que amplia seu grau de competitividade. Em função da tecnologia que empregamos, estamos agora conquistando mercados e entrando com produtos novos que vão permitir uma entrada maior de pequenos produtores, ampliando o rol de exportadores brasileiros, como vai ser o caso de frutas, ou no caso de outros produtos. E, para isso, nós estamos em contato com a CNA, nós conversamos com a CNI, enfim, é uma proximidade do Itamaraty com o setor privado na área do agro que não havia antes. Não nessa escala, não com essa importância. 

Secretário Luiz Fellipe Schmidt – É exatamente isso. Posso dar meu depoimento como “chão de fábrica”. Esse levantamento de 7.663 documentos trocados com governos estrangeiros dá um pouco da dimensão do que é entrar no comércio, no mercado internacional agrícola, e que não é uma tarefa fácil. Diferentemente dos produtos industriais, em que, normalmente, se negocia um acordo internacional, onde se estabelece uma tarifa e a partir daí o mercado está aberto, dos mercados agrícolas exige-se que cada mercado seja aberto individualmente porque existem restrições sanitárias e fitossanitárias, e a preocupação é que cada país evite que pragas de outras culturas, de outras lavouras ingressem no seu país. Então, são estabelecidas algumas regras para mitigar qualquer risco dessa transferência das partes. 

Mas acaba que isso é usado como barreira, um protecionismo disfarçado, como a gente chama, e isso exige uma negociação muito constante e intensa, com esse volume que estamos falando, justamente porque são negociações individuais. Antes, não tínhamos a dimensão completa da importância desse setor. Queria até aproveitar para agradecer os postos e toda nossa equipe por esse trabalho. Equipe pequena, porém aguerrida, como eu costumo chamá-los, aqui e no exterior. Tem sido gratificante ver este resultado, que é palpável.

Ministro Alexandre Ghisleni – Ministro, se me permite acrescentar um elemento a mais, o público precisa ter ideia, digamos, da relevância do trabalho que tem que ser feito através de um dado muito importante: o Brasil tem 120 setores comerciais no exterior, isso quer dizer que o Ministério das Relações Exteriores pode ativar locais, escritórios de promoção do agro brasileiro em 120 grandes cidades no exterior. Nenhuma organização brasileira tem esse grau de capilaridade; esse é um patrimônio do Brasil. Então, quando o Itamaraty junta esforços com essas outras organizações, nós estamos dando uma efetividade à promoção do agro que nenhuma organização sozinha poderia ter. 

Eu acho que isso é um diferencial muito importante quando a gente conversa com o setor privado. Eles têm agora a certeza de que, quando forem a uma missão, por exemplo, a uma grande cidade industrial, mas fora das capitais, como na África, na Ásia ou na Europa Oriental, eles vão estar juntos com o Itamaraty. O Itamaraty vai estar com eles. Não apenas prestando um apoio de longe, mas de perto, junto, com as dificuldades, dando inteligência comercial e dando apoio em todos os momentos. Esse é um trabalho que não é todo país que faz. Eu acho que nós temos que ter orgulho do que o Brasil está fazendo.

Ministro Ernesto Araújo – Sem dúvida. Então é isso. É um time. O Itamaraty faz parte de um time, juntamente com a Apex-Brasil, mas vinculado ao Ministério da Agricultura, obviamente, e com o setor privado. E, claro, quem faz o gol geralmente é o setor privado, ele é quem vai exportar, que vai gerar emprego, mas ele não está jogando sozinho. Isso é o que eu queria dizer, nós às vezes passamos a bola, juntamente com o Ministério da Agricultura e com a Apex--Brasil. Isso é o que o radialista não fala. Às vezes, até fala que entrou a bola, mas não fala quem passou a bola. Quem passou? Foi o vento que passou e a bola entrou ou acabou indo para o atacante? Não foi. Foi um esforço conjunto, e é óbvio que o objetivo final é chegar a esse gol, ou seja, é o setor privado exportar. Mas esse trabalho é de time. Então, o placar está 7.663 a 0 para aqueles que acham que o Itamaraty não faz parte deste esforço.

Gostaria de falar um pouco sobre o nosso comércio com a China. Outro mito é de que nós temos algum tipo de problema com a China, do ponto de vista político, e que isso geraria prejuízo para o agronegócio brasileiro, para o qual a China é tão importante. Então, nada melhor do que números em vez dessas abstrações. Vamos ver os números do comportamento do nosso comércio agrícola com a China em 2019, um ano inteiro da nossa gestão, em comparação com 2018. 

Em 2019, as exportações de carne bovina brasileira para a China cresceram 80% em comparação com 2018; o algodão cresceu 56%; o frango cresceu 53%; a carne suína, 101%; açúcar, 77%; e fumo, 135%. Acho que os números falam por si. Isso quer dizer que não estamos tendo nenhum tipo de prejuízo, pelo contrário, estamos aumentando a nossa presença no mercado chinês. 

Pegando o primeiro semestre de 2020, um semestre obviamente atípico no mundo todo em função da COVID-19, mesmo assim, temos um desempenho extraordinário nas exportações do Brasil para China. No total de todos os produtos do agronegócio, as exportações para a China cresceram 30% no primeiro semestre de 2020 em comparação com o primeiro semestre de 2019. Em 2019, já tinha crescido muito, como acabamos de ver, em relação à 2018, com pandemia e tudo, e nesse primeiro semestre de 2020 cresceu ainda mais.

É importante notar também que o total das exportações do Brasil para a China – o total, não só do agronegócio – cresceu 14% no primeiro semestre de 2020 em comparação com o primeiro semestre de 2019, portanto, um desempenho excelente. Um crescimento de 14% no comércio já é muito grande, é ótimo, mas notamos que o agro cresceu ainda mais do que os outros setores. Então, nós não temos problema nenhum com a China. Estamos vendendo. O Brasil se posiciona ao redor do mundo com seus principais parceiros de acordo com os seus interesses, com as suas prioridades, com os seus valores, e os nossos interesses estão plenamente contemplados nessa nossa política. 

Um dado interessante (esse radialista também não se lembra de jogos passados), em relação, por exemplo, a esse argumento de que “a nossa aproximação com os Estados Unidos vai causar problemas com a China, vamos perder mercado para a China”. É uma lógica meio esquisita, mas isso nós vemos em artigos, e é considerado um raciocínio extremamente sofisticado. Eu acho bastante primário esse tipo de raciocínio, sobretudo porque não corresponde à realidade. Então, eu vou voltar a dar um exemplo de um jogo passado. Em 2015, quando o Brasil tinha a política de um tempo anterior, bastante antiamericana, ninguém argumentava que havia uma aproximação com os Estados Unidos prejudicando as relações com a China; pelo contrário, havia um distanciamento e uma frieza muito grande em relação aos Estados Unidos. Pois bem, em 2015 as nossas exportações para a China caíram 12% em comparação com 2014. O que isso significa? Significa que existe um comportamento do comércio bastante diferente do que essas análises extremamente superficiais e errôneas imaginam.

Ministro Alexandre Ghisleni – Ministro, eu acho muito importante levarmos em conta esse quadro mais amplo da nossa relação com outros países e até queria acrescentar uma outra coisa: quando falamos de prioridade de um bloco para outro, esquecemos um pouco a noção de que o Brasil é um exportador global. Nós estamos presentes em todas as regiões do globo, e o agro brasileiro teve um desempenho positivo em praticamente todas as regiões. Então, um dado adicional: nós estamos muito bem com a China, como o senhor acabou de mencionar, e estamos muito bem com a União Europeia também. No momento em que houve uma retração de demanda em função da COVID-19, eu estava vendo aqui os dados na comparação do primeiro semestre de 2020 com o primeiro do ano passado, nós mantivemos o nível de comércio e acrescentamos US$ 10 milhões a mais, ou seja, um crescimento positivo no momento em que a tendência era regressiva no mundo todo. A mesma coisa vale, por exemplo, também, para a África, com a qual nós tempos relações comerciais, parcerias com países africanos e estamos vendendo mais no momento em que eles também estão em crise por causa da mesma pandemia. 

Agora, neste primeiro semestre de 2020, nós aumentamos nosso saldo comercial e aumentamos, na verdade, o volume das nossas vendas em 90 milhões, mantivemos e expandimos. Não são todos os países do mundo que podem dizer isso. Na verdade, a gente pode mostrar, com isso, que a política do governo de promoção do agro é consistente em todos as frentes. É consistente na China, na África, na Europa e com todos os nossos principais parceiros de comércio.

Secretário Luiz Fellipe Schmidt – Gostaria também de acrescentar que, justamente, nós temos a consciência do volume de comércio que nós temos com a China, e o próprio Ministério das Relações Exteriores tem uma estrutura bastante adequada e ciente disso. Nós temos um departamento específico sobre a China, uma divisão econômica sobre a China, com quem nós temos estreita coordenação; temos uma equipe em Pequim, que é, inclusive, a maior equipe para tratar de agro entre os postos bilaterais. Ou seja, existe uma preocupação grande em manter a relação sempre nos melhores termos.

Ministro Ernesto Araújo – Exato. Isso dá uma dimensão bastante mais clara sobre o nosso comércio do agro com a China.

Outro mito que é preciso corrigir é de que a nossa política em relação ao Oriente Médio, já li em algum lugar que “a nossa intromissão em temas do Oriente Médio geraria prejuízo no nosso comércio com países árabes ou países do mundo islâmico”. Em primeiro lugar, essa visão que o Oriente Médio não é conosco é uma visão que não tem nada a ver com a nossa tradição diplomática, como às vezes é alegado. Essa tradição começa com a participação do então Chanceler Oswaldo Aranha na sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas que resultou na criação do Estado de Israel e a sua liderança no processo que levou à criação do Estado de Israel. Desde então, houve sucessivos momentos em que o Brasil sempre procurou trazer algo positivo no Oriente Médio, a partir da nossa boa tradição diplomática.

O problema é que a partir de um certo momento, a partir dos anos 70, esse interesse pelo Oriente Médio, essa participação, começou a tomar um viés muito anti-Israel. Isso se desdobrou em diferentes momentos. O Brasil sempre querendo participar, mas, cada vez com menos credibilidade para isso porque tinha um parti pris, tinha uma predisposição contra Israel. Isso era perceptível pelos próprios israelenses, e isso não credenciava o Brasil para ser um ator nessa área. 

Isso é uma das coisas que nós tentamos corrigir. Nós achamos que através de novas ideias, através de uma boa relação tanto com Israel quanto com os países árabes, o Brasil pode e deve contribuir, na medida em que for possível. Claro, nós não vamos solucionar sozinhos os problemas do Oriente Médio, mas podemos, sim, contribuir. Hoje está visível que nós somos parte do Oriente Médio com a questão do Líbano, com essa imensa mobilização que está havendo no Brasil para enviar auxílio ao Líbano. Partirá uma missão comandada pelo ex-Presidente Temer, a convite do Presidente Bolsonaro, para levar a nossa mensagem de solidariedade e de apoio ao Líbano. Com a maior diáspora libanesa do mundo, nós temos não só interesse, mas também uma responsabilidade de ser parte de uma solução para aquela região e podemos contribuir. 

Então, eu acho que essa ideia de que “nada é conosco” não é a ideia da nossa política externa. E, no caso, não há prejuízo nenhum. Então, vamos ver os números. Qual é o jogo? O narrador diz que a nossa política com o Oriente Médio prejudica os nossos negócios com o mundo árabe e com o mundo islâmico. Isso não existe na realidade. Vamos ver o que existe, na realidade: o total das nossas exportações para os países árabes, em 2019, cresceu 8,8% em comparação com 2018. Alguns exemplos específicos: carne de frango cresceu 10% nessa comparação; cereais cresceu 51%; o comércio de animais vivos cresceu 50%. Aqui ainda não temos os dados do primeiro semestre de 2020, são dados complicados em função das distorções da COVID-19, assim como nós vimos em relação à China, nesse caso superou em muito as expectativas, mas é um caso específico (excelente para nós, é óbvio), mas é provável que, como em muitos países, como está acontecendo ao redor do mundo todo, as exportações caiam no primeiro semestre de 2020, e talvez no segundo também, mas evidentemente por uma situação imprevista da pandemia.

Eu queria mencionar o caso específico do Irã, porque às vezes é mencionado como se nós tivéssemos algum problema com o Irã, um importante importador dos nossos produtos de agronegócio. Um dado interessante de 2019, portanto já na nossa gestão: as nossas exportações para o Irã caíram um pouco, caíram 3%, mas as importações iranianas no mundo todo caíram 34%, ou seja, o Irã comprou 34% a menos do mundo todo, em 2019, e comprou 3% a menos no Brasil. Então, nosso desempenho foi bem melhor do que a média. Explica-se essa queda pela situação econômica do Irã, provavelmente, por outras questões, mas isso não tem absolutamente nada a ver com a nossa política externa, que, de toda forma, não tem nenhum tipo de problema em relação ao Irã. Essa é a realidade. 

Nós temos, portanto, uma presença no Oriente Médio que tem a ver com a nossa formação, a nossa composição, inclusive, por causa da população de origem tanto árabe quanto judaica no Brasil. Eu acho que é uma demanda da sociedade brasileira que nós procuremos dar uma contribuição. No ano passado, tivemos uma visita histórica do Presidente da República a Israel e, depois, tivemos uma visita histórica, igualmente, do Presidente da República a países do Golfo: Emirados Árabes, Arábia Saudita e Catar. 

Hoje de manhã, por exemplo, o Presidente da República falou com o Príncipe herdeiro da Arábia Saudita. É uma relação que está dando frutos, não necessariamente no agronegócio, mas amanhã teremos uma videoconferência para consolidar um fundo de investimento de 10 bilhões de dólares que a Arábia Saudita está abrindo no Brasil. Vamos discutir os projetos onde isso se implementará. Quando estivemos em Riade, na Arábia Saudita, no ano passado, eu me lembro de um jantar do Presidente com o Príncipe herdeiro na Arábia Saudita, que disse o seguinte: “Nós estamos há vários anos olhando o Brasil. Vários anos. E a cada ano nós pensávamos, ‘será que é o momento de investir no Brasil? Não. Será que é o momento de investir no Brasil? Não.’ Agora (no ano passado, 2019) é o momento de investir no Brasil”. Criaram esse fundo de US$ 10 bilhões, acho que será o começo, inclusive, de um processo mais amplo.

De forma que, também nesse domínio dos investimentos, que é tão determinante, os países do Golfo estão entre os maiores emissores de investimentos do mundo, são países que querem diversificar sua carteira de investimentos. Os Emirados Árabes também estão diversificando suas carteiras. Falei recentemente com os chanceleres também do Kuwait e do Bahrein, dois países fundamentais do Golfo, onde ainda não pudemos visitar, mas que visitaremos, e estão todos interessadíssimos pelas oportunidades que estão sendo abertas pelo nosso processo de reformas, por exemplo, a aprovação do Novo Marco de Água e Saneamento. Tudo isso gera uma atenção ao redor do mundo que não existia. 

Então, no domínio dos investimentos também, essa tese desse narrador que não está vendo o jogo direito não se aplica. Não se aplica porque estão entrando investimentos de países árabes, que têm pleno conhecimento de qual é a nossa política em relação a Israel e que são parceiros muito mais importantes do que eram anteriormente, com uma política que era diferente.

Ministro Alexandre Ghisleni – Se o senhor me permitir, Ministro, eu queria fazer um adendo. Tem um ponto a respeito do desempenho comercial do agro brasileiro no Oriente Médio, de maneira geral, e também de outras regiões, tem um ponto da política externa brasileira que eu acho muito importante: nós, ativamente, levamos a mensagem de que o Brasil é um fornecedor confiável. Ou seja, o Brasil é um dos garantes da segurança alimentar mundial, nós assumimos esse papel, e mesmo em um contexto de dificuldades o agro brasileiro não parou. Nós, como Itamaraty, levamos, bilateralmente, junto de outros países em todas as regiões, também na OMC e em outros fóruns, a mensagem de que estamos aqui para ajudar a manter a segurança alimentar dos países. O que faz com que, na verdade, o Brasil, nesse período, tenha se consolidado como fornecedor confiável, e isso é um dos pontos importantes, Ministro. Isso dá uma visão de longo prazo, também fortalecida por este governo, o governo do Presidente Bolsonaro, de que a nossa presença no Oriente Médio, que já é uma presença tradicional, está lá para ficar.

Ministro Ernesto Araújo – Totalmente. É exatamente isso, as coisas se conjugam. A nossa presença é uma só, presença em termos dos nossos valores, como eu dizia, em defesa daquilo que a gente acredita, de como o Brasil pode contribuir para mudar o mundo, no sentido que a gente sempre fala, da liberdade, da paz, e, ao mesmo tempo, dos nossos interesses econômicos e comerciais. E é esse o próximo ponto que eu queria tratar: o mito de que nós estaríamos saindo de uma tradição da política externa brasileira, da diplomacia brasileira, de cuidar dos nossos interesses econômicos e comerciais. 

Nesse ponto, há uma distorção absoluta, novamente, porque quem diz isso não viu o último campeonato, ou vários campeonatos. Ao longo de 25 anos de vários governos, essa política externa, que teoricamente cuidava tão bem dos nossos interesses econômicos e comerciais, não fechou nenhum grande acordo comercial. Nós já fechamos dois, com a União Europeia e com a EFTA. Fecharemos mais, muito em breve, se tudo der certo. Nenhum grande acordo comercial foi fechado pelos sucessivos governos ao longo de pelo menos duas décadas e meia.

Mais do que isso: um grande acordo que teria sido bom para o Brasil, e que foi perdido, foi a ALCA, que seria a Área de Livre Comércio das Américas. Por quê? Porque era uma ideia americana. Isso foi entre meados dos anos 90 e meados dos anos 2000. Algo que unia diferentes governos nessa época era o antiamericanismo. Um pouco mais disfarçado em certos momentos, menos disfarçado em outros. Então, se a ideia era americana, tinha que ser ruim. A diplomacia brasileira, sobretudo no governo PT, a partir de 2003, trabalhou ativamente para torpedear, para dinamitar a ideia de uma área de livre comércio das Américas, inclusive indo contra o que era o interesse explícito do setor do agronegócio brasileiro naquele momento. Lembro-me do Ministério da Agricultura brasileiro defendendo que o Brasil negociasse, entrasse na ALCA, e o Itamaraty da época não queria. Eu sei, porque eu participei e vi as formulações de posições, como eram. Qual era o objetivo? O objetivo era não ter um bom acordo comercial porque desse acordo fariam parte os Estados Unidos, e a política brasileira na época era de criar uma espécie de um espaço sul-americano fechado ao resto do mundo, fechado da influência dos Estados Unidos e das grandes democracias, porque também se negociava contra o acordo União Europeia-MERCOSUL. A ideia do acordo União Europeia-MERCOSUL era ter um paralelo com a ALCA, mas de modo que nenhum dos dois funcionasse. Era um paralelo esquisito. Era um para matar o outro, e deu certo durante um certo tempo. Conseguiram matar a ALCA e não fechar o acordo MERCOSUL-União Europeia. Por quê? Porque eram acordos com grandes democracias. 

O Brasil dessa época, esse Itamaraty, esse Brasil, esse falso Brasil, comandado por uma política inteiramente ideológica, queria fechar o espaço sul-americano. Para quê? Basicamente, para consolidar o poder do Foro de São Paulo aqui dentro, para consolidar esse esquema de regimes mais ou menos totalitários, de regimes ligados ao narcotráfico, permeados pela corrupção e ligados ao crime organizado. Isso era o objetivo e a ALCA, o livre comércio das Américas, o ameaçava. 

Falava-se muito nessa época, no Brasil, nas negociações comerciais – nas antinegociações, que basicamente era o que acontecia com a ALCA, com a União Europeia, até mesmo com a OMC –, que o nosso objetivo era preservar o policy space, o espaço de políticas públicas. Então, nós não podíamos assumir nenhum compromisso internacional, porque qualquer compromisso limitaria a capacidade de autonomia nacional de ter políticas públicas, teoricamente, ligadas ao desenvolvimento. Hoje, nós sabemos que esse espaço de políticas públicas era um espaço para roubar. Basicamente era isso, então, infelizmente, a nossa política comercial perdeu grandes oportunidades para preservar aquele sistema em que acontecia aquilo que hoje a gente sabe que acontecia.

Além disso, especificamente no agronegócio, eu queria lembrar o seguinte: nessa época de uma, teoricamente (segundo alguns comentaristas), política externa que estava realmente “muito preocupada” com o agro, estimulando o agronegócio e defendendo os nossos interesses comerciais, o MST tinha assento praticamente aqui dentro do Itamaraty. O MST vivia aqui dentro, dando palpite em tudo, inclusive nas negociações comerciais. Eu fiz parte de reuniões em que autoridades do Itamaraty eram obrigadas a receber representantes do MST para falar contra as negociações comerciais, com os mais diferentes pretextos, com os mais diferentes motivos. Então, era esse o Itamaraty que “cuidava muito bem do agronegócio” nessa época. 

Portanto, há esse mito de que havia, numa idade mítica, uma política externa “muito pragmática”, que “fazia comércio muito bem”. Isso não existe. Quem assistiu a esse campeonato sabe como foi. Era uma política ideológica antiamericana que não fazia nenhum comércio, que não conseguia acordos, que era contra acordos, dinamitava acordos bons. E reforçava – infelizmente essa é a verdade, é um gol que o Brasil tomou, vários gols – um sistema corrupto aqui dentro; preservava o espaço para um sistema nacional corrupto. 

Qual é a realidade hoje? Uma política externa, uma política comercial que tem uma vertente muito importante no Itamaraty, porque nós temos a responsabilidade de liderar as negociações comerciais; uma política externa centrada na abertura econômica, centrada na modernização da economia, na convergência com as melhores práticas econômicas e de regulamentação mundiais. 

A questão da OCDE: estamos com tudo pronto para começar o nosso processo de adesão à OCDE. Na prática, já estamos nesse processo, falta a formalização do início desse processo, que não depende de nós. Já temos o apoio de todos os países-membros da OCDE. O que acontecia antes? OCDE? Nem pensar. OCDE significava que o Brasil teria de aderir a boas práticas internacionais, inclusiva práticas contra corrupção, ou seja, uma kryptonita. A OCDE era a kryptonita para esse sistema da supercorrupção brasileira. E durante muito tempo eu ouvi isso: “A OCDE, jamais”. A decisão de procurar a adesão à OCDE começou com os bons avanços do tempo do governo Temer, mas ainda com diferentes problemas, e só conseguimos consolidá-lo agora neste momento. Isso indica, então, uma mudança de mentalidade. 

Portanto, continuando: a liberalização, a abertura econômica, a adesão à convergência com as melhores práticas internacionais, um choque de produtividade numa economia que está estagnada há 40 anos. Por que será que está estagnada há 40 anos? Por causa daquele sistema de corrupção, de atraso, de economia fechada. Uma economia fechada é ótima para quem quer manter um sistema corrupto. Só não é boa para os brasileiros, pois não gerava empregos, não gerava crescimento. 

Outro objetivo que, agora sim, estamos atendendo: a diversificação dos nossos parceiros, dos nossos produtos. O Alexandre falou da diversificação das nossas vendas do agronegócio. Isso acontece em todos os lugares. Então, fala-se, claro, da China, que tem uma importância enorme, e nós queremos continuar, mas precisamos diversificar. Não podemos comercializar só com a China. Às vezes, parece que o nosso único parceiro seria a China, ou que o fato de o país ser o primeiro parceiro comercial tivesse uma relevância que se impõe, digamos, em toda a política externa. Durante muito tempo, os Estados Unidos foram o nosso principal parceiro comercial e, naquela época, tínhamos uma política externa antiamericana. Então, não é que agora tenhamos uma política contra China, mas esse argumento de que o seu primeiro parceiro comercial determina todo o conjunto da sua política externa nunca existiu; isso foi uma coisa inventada por esses narradores.

Nós estamos finalmente colocando o Brasil nas cadeias globais de valor, nas cadeias globais de suprimentos, principalmente num momento em que essas cadeias globais estão se reestruturando em novas oportunidades para nós. Justamente quando muitas empresas estão mudando seus lugares de produção, e isso não fazia parte da nossa estratégia. O Brasil não se importava com esse tema das cadeias globais de valor, de ter abertura comercial, de ter relações comerciais necessárias para que as empresas instalassem parte da sua produção aqui no Brasil.

Havia a mentalidade de que investimento estrangeiro era ruim. Eu vi praticamente isso, a ideia de que o Brasil precisava crescer só com a poupança doméstica, como se nós pudéssemos nos tirar da areia movediça puxando o nosso próprio cabelo. Isso era considerado uma doutrina econômica sofisticada, no seu momento. Nós não podemos fazer isso. Não dá para sair da areia movediça assim. Precisamos das parcerias comerciais estratégicas para diversificar a nossa economia, diversificar a nossa presença no comércio internacional e aumentar essa presença de forma geral. 

Sobre atração de investimentos, falei um pouco dos investimentos do Golfo, mas nós estamos implantando uma política que está recolocando o Brasil no mapa dos investimentos. Em 2019, o Brasil foi o quarto destino mundial de investimentos diretos no mundo todo. Continuamos com uma performance muito boa esse ano, apesar das distorções da COVID-19. E esses investimentos não vêm por acaso; eles vêm porque nós estamos concluindo acordo com a União Europeia, por exemplo. Mesmo antes de entrar em vigor, claro que já está afetando positivamente o investimento de empresas europeias no Brasil, elas já se posicionam em função de um acordo que virá. E tudo isso dentro de uma filosofia que é do conjunto desse governo, que é de um time que trabalha em conjunto. Antigamente, tivemos um governo no qual cada ministério trabalhava sozinho, e hoje é uma partida só que nós estamos jogando. E é um modelo de crescimento baseado no investimento privado, e não no Estado. Os modelos de crescimento do passado, quando deram certo por algum tempo, por que não continuaram dando certo? Por que não se sustentaram? Tem um ciclo de um, dois, três, quatro, cinco anos, no máximo, e depois tudo volta à estaca zero. Porque era baseado em algo que não funciona, que é o Estado como provedor, o Estado como ator econômico, central. É claro que hoje temos concentrado a presença estatal onde importa: no auxílio emergencial para tantos milhões de brasileiros, isso está fazendo uma diferença; isso só o governo pode fazer. Mas o Estado como centro do crescimento econômico já está comprovado em duas, três, quatro, cinco ocasiões que não deu certo. Além de não dar certo, além de voltar sempre à estaca zero, é um tipo de modelo econômico que, novamente, alimenta a corrupção, que é a grande praga que o Brasil viveu. 

Então é isso, acho que fazemos parte de um processo de mudança profunda do Brasil nessa área econômica com a política externa, que é uma política externa afirmativa, assertiva, que leva ao mundo aquilo em que o Brasil acredita, que pensa estrategicamente, que pensa naquilo que eu acho que os brasileiros mais querem, que é uma economia que funcione, uma democracia que funcione, com aquilo em que a gente acredita, com os nossos valores. Vou deixar os colegas falarem mais, pois eu já falei muito. 

Ministro Alexandre Ghisleni – Se eu puder acrescentar, Ministro, o senhor já cobriu todo o tema, mas acho que, para o pessoal que é do agronegócio, tem uma dimensão muito importante nessa questão dos acordos comerciais, que é a seguinte: o acordo comercial vale para o agronegócio duas vezes. Ele vale para o agronegócio tanto pelo que já está previsto dentro do acordo, que é a abertura de novos mercados, o reconhecimento de indicações geográficas, enfim, uma série de oportunidades, mas também pelo fato de que outros países, outros parceiros veem que podem perder preferências tarifárias para entrar no mercado brasileiro e se interessam, se dispõem a negociar com o Brasil. Isso significa que nós teremos oportunidade de colocar: “Vocês gostariam de ter uma melhor entrada no mercado brasileiro? Pois nós gostaríamos de ter uma melhor entrada no mercado de vocês também, especialmente na área do agro”. E com isso nós podemos destravar negociações antigas com vários parceiros significativos no mundo afora, abrindo novas oportunidades para o agro brasileiro. Isso para mostrar que, quando nós falamos desses grandes acordos comerciais, eles têm o sentido de curto e de médio prazo para o agronegócio brasileiro.

Secretário Luiz Fellipe Schmidt – Só para acrescentar, sobre a OCDE, é interessante falar um pouco dessa nossa atuação multilateral, que também é muito importante. A OCDE, onde boa parte do jogo é definida, é um caso onde nós estarmos sentados à mesa sempre ajuda a evitar que os próprios países competidores nossos usem de estratégia de colocar em acordos internacionais multilaterai, coisas que não nos interessam. Então, isso tem sido muito importante, também na FAO, na OMC, onde tradicionalmente nós estamos. 

E isso nos leva à segunda dimensão do nosso trabalho, que é a de monitorar o que os outros países competidores nossos, outros mercados fazem em termos de subsidiar sua produção, em detrimento do mercado internacional livre que nós defendemos. O Brasil tem uma competitividade natural, não necessita recorrer a subsídios. Os outros países usam de subterfúgios, muitas vezes, para subsidiar as suas produções, e nós conseguimos, através da atuação em Genebra e em outros fóruns internacionais, monitorar isso e pressionar, com os instrumentos dos quais dispomos, para que isso não se reverta numa distorção do mercado internacional pelos preços, pela intervenção no comércio, que é sempre um dano aos nossos interesses.

Ministro Ernesto Araújo – Exato. Temos múltiplas dimensões nessa atuação. Muitas delas não falamos aqui, que têm uma complexidade muito grande. Tem também a questão dos contenciosos comerciais, sobretudo na OMC, contra políticas distorsivas que violam os acordos da OMC em outros países. Nós já tivemos alguns avanços nessa gestão, o que acaba gerando abertura de mercados e correção de distorções. Continuamos muito ativos na OMC, nessa e em várias outras dimensões. 

Então, é isso. O objetivo era dar uma ideia de como está o jogo, mostrar alguns dos melhores momentos do jogo real, alguns dos gols que estamos marcando, para que as pessoas saibam que esse jogo que está sendo narrado não é a realidade. Nós precisamos ter presente isso. Nós estamos no mundo real e não num mundo de abstrações e de falsas análises que andam por aí.

O governo brasileiro como um todo é um time, de que o Itamaraty tem orgulho de fazer parte, um time que está ganhando, um time que está marcando gols, que está jogando no ataque, está jogando para marcar, não está jogando pelo zero a zero. Nós temos uma política externa, hoje, que não joga pelo zero a zero, muito menos que faz gol contra, como aconteceu no passado. Vamos para frente, que é o que a torcida quer, é o que a torcida precisa. É uma política externa que ajuda o Brasil a gerar emprego, a gerar esperança; é isso o que estamos fazendo em benefício do agronegócio e, eu tenho certeza, em benefício de todos os setores da economia e de todos os brasileiros.

Obrigado e boa noite.

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