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FUNAG e IPRI realizaram palestra que discutiu a desglobalização

Em 10 de maio, a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) e o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) realizaram, no Auditório Paulo Nogueira Batista, a palestra-debate “Desglobalização: crônica de um mundo em mudança” com o professor Marcos Troyjo, diretor do Centro de Estudos sobre o Grupo BRICS (BRICLab) da Universidade de Columbia. O evento foi mediado pelo diretor do IPRI, ministro Paulo Roberto de Almeida, e teve como debatedor convidado o diretor do Departamento de Negociações Comerciais e Extrarregionais (DNCE), embaixador Ronaldo Costa Filho.

Troyjo iniciou sua exposição discorrendo sobre o mundo pós-Guerra Fria, período compreendido entre 1989 e 2008, por ele denominado de "globalização profunda", durante o qual o comércio mundial aumentou a taxas muito superiores àquela do crescimento econômico. Segundo ele, esse período era marcado por quatro grandes crenças ou ideias. A primeira seria o triunfo da visão de mundo ocidental, caracterizada notadamente pela economia de mercado e pela democracia representativa. A segunda era uma compreensão da inovação como reinvenção corporativa baseada em grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento, ilustrada pela reestruturação da IBM ocorrida naquela época. A terceira seria a transferência do centro dinâmico da economia mundial do Atlântico para o Pacífico, sob a liderança do Japão. A quarta e última seria a obsolescência dos estados nacionais e o avanço dos processos de integração regional, liderados pela União Europeia.

Essa fase, e a visão a ele associada, encerrou-se com a crise econômica de 2008. No período que se seguiu, descrito como de "desglobalização", verificou-se uma inversão de tendências caracterizada, notadamente, por um crescimento do comércio internacional inferior ao incremento do PIB mundial. Essa época é marcada pela perda de influência progressiva dos Estados Unidos; pela ascensão econômica da Ásia, porém sob a liderança da China, e não do Japão; por críticas à ordem liberal, desacreditada em função dos problemas de governança causadores da crise econômica; e por forte onda de nacionalismo e de isolacionismo. Esta última tendência se agrava a partir da eleição de Donald Trump, quando a nação que lidera a economia mundial adota discurso hostil à abertura comercial, quebrando uma tradição contínua que remonta ao liberalismo britânico do século XIX.

Marcos Troyjo entende, contudo, que essa fase de fechamento é um percalço de curto prazo. Os fatores econômicos e tecnológicos subjacentes ao processo de globalização tendem a prevalecer e deverão acarretar o retorno progressivo da abertura comercial. O professor acredita, ainda, que os preços das matérias primas ("commodities") tendem a se recuperar nos próximos anos, em decorrência do aumento de demanda associado ao crescimento dos países asiáticos, especialmente dos mais populosos e dinâmicos, como China, Índia, Indonésia e Vietnã. Esse cenário poderá favorecer o Brasil, que terá uma nova chance de crescimento.

Na avaliação de Troyjo, contudo, essa provável retomada da globalização não necessariamente virá associada ao fortalecimento de grandes estruturas de governança internacional ou supranacional, como a ONU e a União Europeia, tal qual se acreditava nos anos 1990. Na sua visão, é provável que as demandas de coordenação decorrentes da interdependência crescente sejam atendidas por arranjos menos ambiciosos e mais pragmáticos, nos moldes da APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, em inglês: Asia-Pacific Economic Cooperation) e de outros agrupamentos análogos.

 

Fotos: Arapuã Brito

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