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JOSÉ CARLOS DE MACEDO SOARES

DISCURSO DE POSSE

MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES JOSÉ CARLOS MACEDO SOARES

14 DE NOVEMBRO DE 1955

Acudindo ao apelo do eminente Sr. Presidente da República, Nereu Ramos, agora investido das altas funções de depositário supremo dos mais graves interesses morais e materiais que bem condizem com a tranquilidade e segurança da nossa pátria, – volto a esta Casa depois de dezenove anos, quando a servi na linha de suas nobres tradições. Assumindo a pasta das Relações Exteriores, vou retomar o fio de sua orientação inalterável, salvo as influências dos tempos que transformaram as sociedades modernas, no convívio internacional.

O curto prazo, que me está assinalado na nova passagem pela direção deste ministério, torna ainda mais rigoroso o dever de continuidade na orientação do trato de seus negócios, mormente quando venho substituir um dos mais ilustres estadistas do nosso país, o eminente Sr. Raul Fernandes.

Assim, devo ainda declarar que minha colaboração no governo da República será sublinhada, em todos os seus termos, pela obrigação de servir ao Brasil, na esfera das relações internacionais, orientado pela convicção de nossas responsabilidades diante da grandeza do território nacional, de sua população, beirando sessenta milhões de habitantes, da nossa alta expressão econômica e da valiosa força militar brasileira, sem dúvida uma das mais legítimas afirmações democráticas do mundo e, portanto, de uma nação que segue o seu destino sem temores, sem aflições e sem riscos que possam afetar sua efetiva independência e soberania.

Na história de nossas relações exteriores avultam amizades seculares, como a luso-brasileira, tão grata aos nossos corações; como as que cultivamos com a grande república dos Estados Unidos da América, e como as que mantemos com as nações irmãs de toda a América, de cujo destino temos por vezes partilhado, nas horas difíceis, como nas horas de alegria, quando as populações sofredoras logram, como recentemente o nobre povo argentino, superar as crises internas, dando uma prova eloquente de amor à liberdade, sem a qual não é possível, em nosso hemisfério, a evolução econômica, social e política.

Por tudo isso, talvez seja oportuno insistir no caráter tradicional desta chancelaria, de governar-se pelas altas conveniências nacionais, repelindo os termos de falsos nacionalismos, confiando em nossa capacidade de nos defendermos contra todo tipo de penetração ou interferência na orientação de nossos próprios negócios.

Nestas ligeiras palavras, quero consignar os agradecimentos desta Casa ao eminente brasileiro Sr. Ministro Raul Fernandes, pelos serviços que lhe prestou dentro das novas afirmações de sua inalterável tradição diplomática.

Agradeço a saudação do Sr. Embaixador Antônio Camillo de Oliveira, ilustre Secretário-Geral.

Desejo, agora, saudar o nosso admirável funcionalismo, cujo alto sentido de servir o Brasil é, por certo, um de seus grandes motivos de orgulho nacional.

Eis o que eu tinha a dizer.

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