Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página

Barão do Rio Branco,

José Maria da Silva Paranhos Júnior

 

63

Nascido e falecido no Rio de Janeiro, é considerado o Patrono da Diplomacia Brasileira. Em seus doze anos à frente do Ministério das Relações Exteriores, criou um estilo único de diplomacia, sendo sua influência sentida até hoje. Certos conceitos essenciais e pre­missas da política externa nacional foram cunhados durante sua gestão. Filho do ilustre José Maria da Silva Paranhos (visconde do Rio Branco), Juca Paranhos conviveu com temas de política externa desde sua infância. Após terminar o curso no Colégio Pedro II, ingressou na Academia de Direito de São Paulo (1862-1865). Cursou o último ano da Faculdade de Direito em Recife, onde se formou (1866), desenvolvendo neste perío­do especial interesse pela história brasileira. Seguindo os passos do pai, decidiu se can­didatar a uma vaga na Câmara pelo estado de Mato Grosso, sendo eleito deputado (1869). Após duas legislaturas consecutivas (1869-1872 e 1872-1876), desiludiu-se com a política, decidindo tentar a sorte em um posto no exterior. Teve a oportunidade de iniciar sua carreira diplomática no principal polo de irradiação do sistema econômi­co internacional, sendo nomeado pelo imperador cônsul-geral em Liverpool (1876). Particularmente dedicado à promoção do comércio entre o Brasil e a Grã-Bretanha, sua dedicação foi reconhecida em maio de 1888, quando a princesa Isabel lhe concedeu o título de barão do Rio Branco. Após a Proclamação da República (1889), permaneceu ainda em Liverpool até 1893, quando foi chamado para chefiar a Missão Especial em Washington, a qual representava o Brasil no arbitramento da questão de Palmas (Missões), disputada por Brasil e Argentina. A decisão, favorável ao Brasil, coube ao presidente norte-americano americano Grover Cleveland, em fevereiro de 1895. Esta vitória transformou o barão numa celebridade nacional, tendo seus serviços solicita­dos para solucionar outras pendências de limites. Em 1900, conduziu as negociações referentes à fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa que, pela arbitragem do Conselho Federal Suíço, foram concluídas favoravelmente ao Brasil. Ingressando no serviço diplomático em maio de 1901, aceitou a nomeação como chefe da legação brasileira em Berlim. No ano seguinte, o presidente eleito Rodrigues Alves formulou o convite para o Ministério das Relações Exteriores. Como chanceler, dedicou-se intensa­mente a solucionar a questão das fronteiras com a Bolívia e o Peru, envolvendo a região do Acre, e a introduzir um novo estilo de gestão no Ministério. Promoveu a centralização do comando ministerial e a maior abrangência na atividade diplomática. Criou também a Mapoteca e a Biblioteca. Em novembro de 1903, assinou o Tratado de Petrópolis, incor­porando ao território nacional a região do Acre (cerca de 200.000 km2) em troca do com­promisso do governo brasileiro pagar 2 milhões de libras de compensação. Percebendo que a correlação de forças mundiais mudava rapidamente a favor dos Estados Unidos, o barão operou uma mudança no eixo da diplomacia brasileira, intensificando o relaciona­mento com aquele país, em detrimento das potências europeias. Em 1905, a legação em Washington transformou-se na primeira embaixada brasileira, o que foi acompanhado pelo gesto recíproco norte-americano. Confirmado no Ministério durante o mandato de quatro presidentes (Rodrigues Alves, Affonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca), o barão foi o ministro das Relações Exteriores que mais tempo permaneceu no cargo durante o período republicano. Morreu sepultado com honras militares, homenageado com a presença de multidões nas ruas do Rio de Janeiro.

 

Fim do conteúdo da página